A passagem de guarda vale 3 pontos no Jiu-Jitsu com kimono, pelo Livro de Regras IBJJF/CBJJ vigente em 2026 (versão 6.1, de junho de 2024). Os pontos saem quando o atleta que está por cima transpõe as pernas do adversário, guarda ou meia-guarda, e mantém o controle transversal ou longitudinal sobre ele, que precisa estar de costas ou de lado no solo, por 3 segundos. Transpor as pernas não pontua. Transpor e segurar pontua. É por isso que a maioria das passagens que “todo mundo viu” termina sem marcação nenhuma no placar.
O que você vai ver neste post
- A tabela de pontos em volta da passagem
- A regra dos 3 segundos e o que conta como consolidar
- Os 4 erros que fazem o árbitro não dar os 3 pontos
- Passagem, meia-guarda e a linha que separa as duas
- A sequência que soma mais: passagem mais montada dá 7 pontos
- Como treinar sabendo o que o árbitro está olhando
- Perguntas frequentes
A tabela de pontos em volta da passagem
A passagem não vive sozinha no placar. Ela é a peça do meio: vem depois da queda, abre caminho para o joelho na barriga, para a montada e para as costas. Quem entende a tabela inteira entende por que a passagem vale exatamente o que vale.
| Posição | Pontos | Artigo do regulamento |
|---|---|---|
| Montada e montada pelas costas | 4 | 4.4 |
| Pegada pelas costas | 4 | 4.5 |
| Passagem de guarda | 3 | 4.2 |
| Queda | 2 | 4.1 |
| Raspagem | 2 | 4.6 |
| Joelho na barriga | 2 | 4.3 |
Repare na lógica por trás dos números. A passagem vale mais que a queda e mais que a raspagem porque resolve o problema mais difícil do Jiu-Jitsu esportivo: as pernas do adversário. Ela vale menos que a montada e que as costas porque ainda não é posição de finalização, é a porta de entrada delas. Se quiser a tabela completa com todas as posições, a regra de vantagem e os critérios de desempate, está tudo no nosso guia sobre pontuação no Jiu-Jitsu pelas regras CBJJ e IBJJF.
A regra dos 3 segundos e o que conta como consolidar
O artigo 3.1 do livro de regras abre com a frase que governa todo o resto: os pontos serão assinalados sempre que o atleta estabilizar por 3 segundos a posição conquistada. Não existe ponto por passar. Existe ponto por passar e ficar.
Para a passagem especificamente, o artigo 4.2 detalha o que precisa estar de pé ao mesmo tempo durante esses 3 segundos:
- Você está por cima. A regra descreve a posição do atleta que está em cima transpondo as pernas de quem está embaixo. Passagem invertida, vindo de baixo, não existe nesse artigo.
- As pernas do adversário ficaram para trás. Guarda ou meia-guarda, as duas contam como transposição, e esse detalhe engana muita gente. Voltaremos a ele.
- O controle é transversal ou longitudinal. Cem quilos, cem quilos invertido, norte-sul. Fora dessas duas famílias de controle, não é passagem consolidada.
- O adversário está de costas ou de lado no solo. Se ele está de quatro apoios, de barriga para baixo ou sentado, a exigência da regra não foi cumprida.
- Nada disso se desfaz por 3 segundos inteiros. Um segundo e meio de cem quilos antes de ele recompor não vale nada em pontos. Vale vantagem, quando o árbitro entender que você chegou perto.
O terceiro e o quarto item são os que mais custam ponto no campeonato. O atleta passa, mas o adversário nunca chega a ficar de costas ou de lado: ele gira para o quatro apoios no meio do caminho, sai de tartaruga e o árbitro fica com a mão parada. Tecnicamente você passou. Pela regra, não houve passagem consolidada.
Os 4 erros que fazem o árbitro não dar os 3 pontos
Aqui está a pergunta que traz a maioria das pessoas até este texto. Ninguém pesquisa “passagem de guarda quantos pontos” só para saber que são três. Pesquisa porque passou, olhou para o placar e não viu nada aparecer. Estes são os quatro casos previstos no regulamento, e todos eles têm nome e número de artigo.
Erro 1: passar direto para a imobilização lateral depois da dupla puxada
Quando os dois atletas puxam para a guarda ao mesmo tempo, o artigo 3.5 diz que o atleta que for para cima primeiro recebe uma vantagem. A observação logo abaixo é a que dói: se esse atleta subir direto para a imobilização lateral, ele não recebe pontos nem vantagem pela passagem de guarda.
A lógica da regra é simples e vale entender, não decorar. Não existiu guarda montada para ser transposta. Ninguém chegou a estabelecer um enquadramento com as pernas contra você. Sem guarda, não há passagem, e sem passagem não há os 3 pontos, por mais que a posição final no chão pareça idêntica à de uma passagem legítima.
Erro 2: cair por baixo durante um ataque e não usar as pernas
Este está no artigo 4.2 e é o mais contraintuitivo de todos, porque beneficia quem parecia estar perdendo. Se, durante um ataque por cima, uma chave de braço por exemplo, você acaba caindo por baixo e não usa as pernas para impedir o adversário de chegar ao controle lateral, o regulamento é explícito: não devem ser atribuídos pontos nem vantagem pela passagem de guarda.
De novo, é a definição de guarda que decide. A observação 1 do artigo 4.2 define guarda como o uso de uma ou das duas pernas para impedir que o adversário atinja o controle transversal ou longitudinal. Se as suas pernas não estavam fazendo esse trabalho, você não estava na guarda. E não se passa uma guarda que nunca existiu.
Erro 3: passar enquanto está preso em uma finalização
O artigo 3.3 é o que mais aparece em final de campeonato. O atleta que chega a posições de pontuação estando sob ataque de uma finalização só terá os pontos assinalados quando se livrar do ataque e estabilizar a posição por 3 segundos. A contagem dos 3 segundos, aliás, é interrompida no instante em que o adversário encaixa a finalização.
O desdobramento pesado está no 3.3.3: quem atravessa uma ou várias posições de pontuação sob ataque de finalização e não se livra até o fim da luta recebe apenas uma vantagem. Uma. Não uma por posição. Você pode passar, montar e pegar as costas com um triângulo pendurado no pescoço e terminar a luta com um único ponto de vantagem no placar enquanto o adversário comemora. E o 3.3.1 vai além: se você só escapa da finalização depois de já não estar mais naquelas posições, não recebe nem pontos nem vantagens por elas.
Erro 4: abandonar a posição para passar de novo
O artigo 3.2 fecha a porta da reciclagem de pontos. A luta deve seguir uma sequência crescente de domínio técnico em direção à finalização. Por isso, o atleta que voluntariamente abandona uma posição pela qual já recebeu pontos, para repeti-la em busca de nova pontuação, não terá os novos pontos assinalados.
Passar, soltar de propósito, deixar recompor e passar de novo não faz 6 pontos. Faz 3. Vale a pena separar duas situações que parecem iguais: se o adversário recompõe a guarda por mérito dele, a passagem seguinte é uma passagem nova e pontua normalmente. O que a regra pune é o abandono voluntário para farmar placar.
Antes de seguir, um teste rápido de honestidade com o seu próprio jogo: você sabe dizer, sem pensar muito, quais são as duas passagens que você realmente usa em uma luta dura, e o que costuma acontecer depois de cada uma? No editor visual do GamePlan BJJ você desenha essa sequência como um fluxograma, com a passagem de um lado e a reação mais provável do adversário do outro. Ver o desenho pronto costuma responder essa pergunta melhor do que a memória.
Passagem, meia-guarda e a linha que separa as duas
Essa é a dúvida técnica mais frequente do tema, e a resposta oficial contraria o que se ouve muito no tatame.
Passar a meia-guarda vale os mesmos 3 pontos. O artigo 4.2 trata guarda e meia-guarda no mesmo parágrafo: transpor as pernas do adversário, “transpor a guarda ou meia-guarda”, com controle transversal ou longitudinal por 3 segundos. Não existe pontuação reduzida por ter vindo da meia. Passou, estabilizou, são 3.
O que muda é o que acontece antes de completar. A meia-guarda tem regras próprias de vantagem, e elas são fáceis de confundir:
- Quem, partindo da guarda ou de uma puxada, alcança o controle de meia-guarda por cima mas não consolida a passagem na sequência, recebe uma vantagem.
- Se a passagem for completada depois, essa vantagem da meia-guarda deixa de contar. Não se acumula vantagem e ponto pela mesma progressão.
- Se a posição de meia-guarda não veio de uma tentativa de passagem, ela não gera vantagem nenhuma. Cair na meia por acaso não é começo de passagem.
Vale ainda registrar a definição oficial de meia-guarda, porque ela é mais estreita do que o uso comum da palavra: é a guarda em que o atleta de baixo está deitado de costas ou de lado e aprisiona apenas uma das pernas do adversário que está por cima. Duas pernas presas não é meia-guarda, é guarda. Nenhuma perna presa não é guarda coisa nenhuma, e volta ao erro 1.
A sequência que soma mais: passagem mais montada dá 7 pontos
Agora a parte boa da regra, a que trabalha a favor de quem sabe encadear. O artigo 3.4 permite pontos cumulativos quando o atleta evolui a movimentação através de várias posições de pontuação, desde que o domínio de 3 segundos da última posição represente também o domínio das anteriores. Nesse caso, o árbitro conta apenas 3 segundos ao final da sequência.
O próprio regulamento dá o exemplo com todas as letras: passagem seguida de montada soma 7 pontos, 3 mais 4.
Leia de novo o que isso significa na prática, porque é uma economia de tempo enorme dentro da luta. Você não precisa segurar 3 segundos na passagem, soltar, montar e segurar mais 3. Você passa, sobe para a montada e segura 3 segundos lá em cima. Uma contagem só, 7 pontos no placar. Em uma luta de 5 minutos com um adversário duro, essa diferença é a diferença entre construir uma vantagem e ficar preso administrando uma.
Dá para ir além. Passagem, montada e depois as costas, mantida a progressão de domínio, soma 11. E o artigo 4.4.1 traz um detalhe que quase ninguém usa: montada e montada pelas costas são posições distintas para a regra, então a transição direta de uma para a outra vale 4 mais 4, desde que os 3 segundos de estabilização sejam cumpridos em cada uma.
Uma advertência importante para não ler a regra torto: a soma acontece quando a progressão é contínua e crescente. Passar, perder a posição, voltar para a guarda dele e passar de novo não entra nesse cálculo. Isso são dois eventos separados, e o segundo ainda pode esbarrar no artigo 3.2 se a saída tiver sido voluntária.
Como treinar sabendo o que o árbitro está olhando
Todo esse regulamento se resume, para quem está no tatame, a uma mudança pequena de foco. O árbitro não está olhando para a sua passagem. Ele está olhando para os 3 segundos depois dela.
Isso muda o que vale a pena treinar. Não é só a entrada, o toreando, o knee cut, o over under, que estão detalhados um a um no guia sobre os 8 tipos de passagem de guarda e quando usar cada um. É a transição entre passar e travar: onde a sua cabeça vai, onde o seu peso cai, qual pegada mata a recomposição, quanto tempo você aguenta antes de correr para a montada cedo demais. Quem só treina a entrada acumula vantagens. Quem treina a consolidação acumula pontos.
E é aí que a diferença de faixa aparece. O faixa branca precisa entender a regra para parar de achar que foi roubado. O faixa azul precisa entender para escolher onde parar. O roxo e o marrom já sabem tudo isso e continuam perdendo ponto pelo motivo de sempre: não têm clareza sobre a própria sequência, porque ela nunca saiu da cabeça para o papel.
Esse trabalho continua sendo do professor e do tatame, e não existe atalho para nenhum dos dois. O que dá para fazer é chegar na aula com a pergunta certa em vez de chegar com a sensação vaga de que “trava sempre no mesmo lugar”. No GamePlan BJJ, você monta o seu jogo como um fluxograma de decisões, encadeia passagem, estabilização e montada como um caminho só, e usa as sugestões táticas com IA para mapear a reação mais provável do adversário em cada nó do seu fluxograma. O desenho não substitui o treino. Ele mostra onde o treino precisa acontecer.
Se você ainda não sabe se o seu jogo pede uma passagem de pressão ou uma passagem de velocidade, comece pelo diagnóstico: o texto sobre guardeiro ou passador e como descobrir seu estilo resolve essa parte antes de você escolher qual passagem vai virar a sua.
Perguntas frequentes
Passagem de guarda vale quantos pontos?
A passagem de guarda vale 3 pontos, pelo artigo 4.2 do Livro de Regras IBJJF/CBJJ. Os pontos são marcados quando o atleta por cima transpõe as pernas do adversário e mantém o controle transversal ou longitudinal, com o oponente de costas ou de lado, por 3 segundos.
Passar a meia-guarda vale 3 pontos também?
Sim. O regulamento trata guarda e meia-guarda no mesmo artigo, e a passagem consolidada vale 3 pontos nos dois casos. A diferença é que alcançar o controle de meia-guarda sem completar a passagem gera apenas uma vantagem, e essa vantagem deixa de contar se a passagem for completada depois.
Raspagem vale quantos pontos no Jiu-Jitsu?
A raspagem vale 2 pontos. Ela é marcada quando o atleta que está por baixo, com o adversário na sua guarda ou meia-guarda, inverte a posição e mantém o oponente por baixo por 3 segundos. Inversão que não parte da guarda não é raspagem para a regra.
Joelho na barriga vale quantos pontos?
O joelho na barriga vale 2 pontos. É preciso estar livre da guarda, apoiar o joelho ou a canela da perna mais próxima do quadril do adversário sobre a barriga, o peito ou as costelas dele, e manter 3 segundos sem encostar o joelho oposto no chão. Encostou o joelho no chão, vira vantagem.
Quantos pontos valem passagem e montada juntas?
Passagem seguida de montada soma 7 pontos, 3 mais 4. O exemplo é do próprio artigo 3.4 do regulamento. Quando a progressão é contínua, o árbitro conta uma única vez os 3 segundos, ao final da sequência, em vez de exigir 3 segundos em cada posição.
Última atualização: 21 de agosto de 2026. Números conferidos no Livro de Regras IBJJF/CBJJ versão 6.1, de junho de 2024, disponível em cbjj.com.br.

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