Faixas do Jiu-Jitsu: ordem, idade e tempo

Praticante amarrando a faixa marrom sobre o kimono, uma das cinco faixas do sistema adulto do Jiu-Jitsu. Foto de RDNE Stock project via Pexels.

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A ordem das faixas do Jiu-Jitsu adulto, a partir dos 16 anos, é branca, azul, roxa, marrom, preta, vermelha e preta, vermelha e branca, vermelha. São oito graduações. As cinco primeiras são o caminho de qualquer praticante; as três últimas são faixas de mestre, ligadas a idade e a décadas de faixa preta. No sistema infantil, dos 4 aos 15 anos, são treze faixas, organizadas em quatro grupos de cor: cinza, amarela, laranja e verde, cada um deles com uma versão lisa, uma com listra branca e uma com listra preta.

O tempo é a outra metade da resposta. O regulamento não define prazo para sair da branca. Da azul em diante ele define: dois anos na azul, um ano e meio na roxa, um ano na marrom. Isso coloca o piso absoluto em quatro anos e meio da azul até a preta, e ninguém chega perto desse piso. Quem decide a promoção é o professor. A federação só reconhece o que já foi decidido no tatame, desde que os prazos mínimos tenham sido cumpridos.

O que você vai ver neste post

A ordem das faixas do Jiu-Jitsu adulto, da branca à vermelha

O documento que vale é o Sistema Geral de Graduação da IBJJF, versão de junho de 2026, publicado também pela CBJJ. O Artigo 1.2 lista as faixas para atletas a partir dos 16 anos nesta sequência: branca, azul, roxa, marrom, preta, vermelha e preta, vermelha e branca, vermelha.

Vale separar duas coisas que costumam cair na mesma lista. Da branca à preta existe um caminho de aprendizado: você treina, o professor avalia, você sobe. Da preta em diante o critério muda de natureza. Vermelha e preta, vermelha e branca e vermelha não são etapas técnicas, são reconhecimento de tempo de vida dedicado ao esporte.

A tabela abaixo reúne as duas exigências formais de cada faixa: a idade mínima do Artigo 2.1.2 e o tempo mínimo de permanência do Artigo 3.

Faixa Idade mínima Tempo mínimo antes de subir
Branca qualquer idade não há tempo mínimo
Azul 16 anos 2 anos
Roxa 16 anos 1 ano e meio
Marrom 18 anos 1 ano
Preta 19 anos na prática 31 anos
Vermelha e preta (7º grau) 49 anos 7 anos
Vermelha e branca (8º grau) 56 anos 10 anos
Vermelha (9º e 10º graus) 66 anos indefinido

A linha da faixa preta merece explicação. O Artigo 2.1.2 registra “18 anos ou mais”, com uma nota que restringe essa idade a campeões mundiais adultos na faixa marrom. É a única novidade da revisão de junho de 2026. Fora da exceção, a conta do próprio regulamento leva a 19: a marrom só pode ser recebida aos 18 e exige um ano completo de permanência.

As três faixas de mestre que você quase nunca vê no tatame

A partir da preta, o relógio troca de escala. O Artigo 3.1.4 fixa 31 anos de faixa preta antes da vermelha e preta, mais 7 anos até a vermelha e branca, mais 10 anos até a vermelha. São 48 anos de faixa preta ativa, o que combina com a idade mínima de 66 anos da faixa vermelha.

O décimo grau nunca esteve disponível para ninguém. O Artigo 4.1.5 é explícito: foi concedido apenas aos irmãos pioneiros do Jiu-Jitsu brasileiro, Carlos, Oswaldo, George, Gastão e Hélio Gracie. A faixa vermelha que se vê hoje é o nono grau.

A ordem das faixas infantis, dos 4 aos 15 anos

O sistema infantil não é versão reduzida do adulto. Ele tem lógica própria: quatro grupos de cor, e dentro de cada grupo três variações, a faixa com listra branca, a faixa lisa e a faixa com listra preta. Somando a branca inicial, são treze graduações antes dos 16 anos.

Grupo Faixas na ordem Idade
Branca branca qualquer idade
Cinza cinza e branca, cinza, cinza e preta a partir de 4 anos
Amarela amarela e branca, amarela, amarela e preta a partir de 7 anos
Laranja laranja e branca, laranja, laranja e preta a partir de 10 anos
Verde verde e branca, verde, verde e preta a partir de 13 anos

Aqui não existe tempo mínimo. O Artigo 3.1.1 diz isso em uma linha: para atletas entre 4 e 15 anos, não há período mínimo de permanência em cada faixa. O ritmo é do professor. O Anexo I do regulamento apenas sugere três cadências de graus, trimestral, quadrimestral e mensal, e deixa claro que são sugestões.

O que acontece no ano em que o aluno completa 16

Esta é a parte que gera mais confusão, e ela responde metade das histórias de azul precoce. No ano em que o atleta completa 16 anos, ele deixa o sistema infantil e entra no adulto. O Artigo 2.2.3 define a conversão sem margem para interpretação:

  • Quem está na faixa branca permanece na faixa branca.
  • Quem está na cinza, na amarela ou na laranja se torna faixa azul.
  • Quem está na verde se torna faixa azul ou faixa roxa, conforme a decisão do professor.

Ou seja, o adolescente que treina desde os oito anos recebe a azul por transição de sistema, não por tempo acumulado na branca adulta. Não é atalho, e não existe equivalente para quem começou aos trinta. O caso adulto está detalhado no artigo sobre quanto tempo leva para pegar a faixa azul no Jiu-Jitsu.

Detalhe operacional que vale guardar: a idade considerada é a do ano corrente, não a do aniversário. O Artigo 2.2.1 dá a fórmula, ano corrente menos ano de nascimento. Quem faz 16 em dezembro já é Juvenil 1 em janeiro.

Quanto tempo se fica em cada faixa

Os prazos do Artigo 3 são contados a partir do dia do cadastro do atleta na IBJJF em cada faixa, não da cerimônia na academia. E não são metas, são pisos. O Artigo 3.2.2 divide a responsabilidade sem ambiguidade: o período para se graduar da branca à preta fica a critério de cada professor, e a IBJJF apenas reconhece as graduações que respeitaram os mínimos.

O regulamento também prevê caminhos mais curtos para quem tem histórico registrado. Quase toda dúvida sobre alguém que “subiu rápido demais” cai em um destes casos:

  • Na azul, o prazo cai para 1 ano com cadastro anterior na cinza, amarela ou laranja, e desaparece para quem veio da verde, já foi azul juvenil ou foi campeão mundial adulto na azul.
  • Na roxa, cai para 1 ano com cadastro anterior como azul juvenil, e desaparece para quem já foi roxa juvenil ou campeão mundial adulto na roxa.
  • Na marrom, o único caso sem prazo é o do campeão mundial adulto na faixa.

Some os pisos do caminho padrão e você chega a quatro anos e meio entre a azul e a preta. Esse número não é previsão, é o limite inferior teórico que praticamente ninguém alcança, porque a branca não tem prazo nenhum e é justamente onde a maioria passa mais tempo. Não existe levantamento oficial da IBJJF ou da CBJJ sobre tempo médio real por faixa, então trate qualquer média que você ler por aí, inclusive aqui, como referência de tatame e não como estatística.

O que dá para medir com precisão é o seu volume de treino. Duas pessoas com dois anos de azul podem ter 200 ou 400 aulas no corpo. O calendário é igual, o tatame não.

Como funcionam os graus em cada faixa

O Artigo 4.1.2 divide as faixas assim: branca, azul, roxa e marrom têm faixa lisa mais 4 graus. A preta tem faixa lisa mais 6 graus. Depois disso, a própria cor da faixa passa a marcar o grau: vermelha e preta é o sétimo, vermelha e branca é o oitavo, vermelha é o nono e o décimo.

Existe uma frase no Artigo 4.1.3 que muda como você deveria enxergar os graus até a marrom: a adoção do sistema de graus fica a critério de cada professor. Não é contagem regressiva oficial. Quatro graus na sua academia e quatro graus na academia da esquina podem significar coisas bem diferentes, porque alguns professores dão grau por tempo, outros por competência, outros não usam grau nenhum. Como termômetro de progresso, o grau é instrumento fraco. O que você resolve no rolamento é melhor.

Na faixa preta a régua fica rígida: a IBJJF só reconhece graus concedidos dentro do sistema. Os prazos do Artigo 4.1.5 são cumulativos e contam tempo de atividade comprovada:

Grau na faixa preta Tempo desde o grau anterior Total de faixa preta
1º grau 3 anos 3 anos
2º grau 3 anos 6 anos
3º grau 3 anos 9 anos
4º grau 5 anos 14 anos
5º grau 5 anos 19 anos
6º grau 5 anos 24 anos
7º grau (vermelha e preta) 7 anos 31 anos
8º grau (vermelha e branca) 7 anos 38 anos
9º grau (vermelha) 10 anos 48 anos

Atividade comprovada tem definição própria no Artigo 4.2.1: cadastro ativo, registro de academia como professor responsável ou auxiliar, aprovação regular de alunos, diplomas, títulos em campeonatos da IBJJF e certificados de arbitragem. Ano sem nenhuma dessas atividades não conta.

O que muda tecnicamente de uma faixa para a outra

Nada disso está no regulamento. O documento define prazos e idades, não define o que você precisa saber fazer. Essa parte é do seu professor e varia de academia para academia. O que segue é o padrão que se repete na maioria dos tatames brasileiros: bússola, não checklist oficial.

Na faixa branca a tarefa é sobreviver e reconhecer posições: base, fuga de quadril, as duas ou três finalizações que vão te acompanhar a vida inteira. O erro clássico é colecionar técnica antes de reter fundamento. Se esse é o seu momento, as 20 técnicas de Jiu-Jitsu para faixa branca são um recorte honesto do que basta.

Na faixa azul a exigência vira repertório. O problema deixa de ser saber e passa a ser escolher. É a faixa em que a maioria trava, porque aprender uma técnica nova por aula não resolve mais nada sozinho: sem conexão entre elas, você tem cinquenta entradas isoladas e nenhuma sequência. É também quando faz sentido decidir se o seu jogo vai nascer por cima ou por baixo.

Na faixa roxa aparece o jogo próprio. Não é técnica nova, é profundidade. O roxa tem duas ou três posições que conhece melhor que o resto da academia e encaixa as demais em volta delas. De la Riva para berimbolo para as costas comunica alguma coisa; “melhorar meu jogo de guarda” não comunica nada. A diferença entre azul e roxa costuma ser essa capacidade de nomear a própria sequência.

Na faixa marrom o que muda é timing e economia. O marrom faz o mesmo que o roxa gastando menos, entrando meio segundo antes e errando menos rota. É a faixa do refinamento, quando correções de ângulo e pegada valem mais que uma posição nova. Saber como a pontuação funciona deixa de ser assunto de competidor e vira parte do jogo.

Na faixa preta a mudança maior é de papel. O preta continua evoluindo, mas passa a responder por quem treina ao lado dele. Boa parte do que se aprende ali se aprende ensinando, e é por isso que os graus da preta contam atividade, não só tempo.

Como usar a ordem das faixas para planejar seu jogo

Saber a ordem das faixas resolve uma dúvida e cria outra. Você entende onde está, mas continua sem saber o que fazer na segunda-feira de manhã. E o problema de quem trava na azul ou na roxa raramente é falta de técnica nova. É que o repertório existe solto, espalhado por anotações, vídeos salvos e memória de rolamento, sem conexão visível entre as partes.

Faixa é resultado, não plano. O plano é o que acontece entre uma graduação e outra: escolher duas ou três posições centrais, mapear para onde cada uma leva, e treinar as reações mais prováveis do oponente antes de precisar delas. É esse desenho que o GamePlan BJJ torna visível, transformando o seu jogo em um fluxograma de decisões em vez de uma lista de técnicas soltas.

O professor continua sendo quem gradua e quem corrige. A ferramenta só organiza o que você trouxe do tatame, para que a próxima aula renda mais. Se quiser começar pelo método antes da ferramenta, o passo a passo está em como evoluir no Jiu-Jitsu montando um game plan.

Perguntas frequentes sobre as faixas do Jiu-Jitsu

Qual é a ordem das faixas do Jiu-Jitsu adulto?

A ordem é branca, azul, roxa, marrom, preta, vermelha e preta, vermelha e branca e vermelha. São oito faixas no sistema para atletas a partir dos 16 anos, segundo o Artigo 1.2 do Sistema Geral de Graduação da IBJJF. As três últimas são faixas de mestre, com idade mínima de 49, 56 e 66 anos.

Quantas faixas tem o Jiu-Jitsu infantil?

São treze faixas para atletas de 4 a 15 anos: branca, cinza e branca, cinza, cinza e preta, amarela e branca, amarela, amarela e preta, laranja e branca, laranja, laranja e preta, verde e branca, verde e verde e preta. O grupo cinza começa aos 4 anos, o amarelo aos 7, o laranja aos 10 e o verde aos 13.

Quanto tempo leva para chegar à faixa preta no Jiu-Jitsu?

O regulamento não fixa um total. Somando os períodos mínimos obrigatórios, são dois anos de azul, um ano e meio de roxa e um ano de marrom: quatro anos e meio da azul até a preta, sem contar a faixa branca, que não tem prazo mínimo. Na prática esse piso quase nunca é atingido, porque quem decide a promoção é o professor.

Quantos graus tem cada faixa do Jiu-Jitsu?

Branca, azul, roxa e marrom têm faixa lisa mais 4 graus. A faixa preta tem faixa lisa mais 6 graus. Do sétimo grau em diante, a cor da faixa passa a indicar o grau: vermelha e preta é o sétimo, vermelha e branca é o oitavo, e vermelha corresponde ao nono e ao décimo.

O que acontece com a faixa infantil quando o aluno completa 16 anos?

Ele entra no sistema adulto. Quem está na faixa branca continua branca; quem está na cinza, amarela ou laranja se torna faixa azul; e quem está na verde se torna azul ou roxa, conforme a decisão do professor. A idade considerada é a do ano corrente, calculada como ano corrente menos ano de nascimento.

O décimo grau da faixa preta ainda pode ser conquistado?

Não. O Artigo 4.1.5 do regulamento registra que o décimo grau foi concedido apenas aos irmãos pioneiros do Jiu-Jitsu brasileiro, Carlos, Oswaldo, George, Gastão e Hélio Gracie. A faixa vermelha ativa hoje corresponde ao nono grau.

Última atualização: 6 de setembro de 2026.

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