No Jiu-Jitsu com kimono, pelo Livro de Regras IBJJF e CBJJ, a montada vale 4 pontos, a pegada pelas costas com os dois ganchos vale 4 pontos e o joelho na barriga vale 2 pontos. A montada pelas costas também vale 4, porque o regulamento a trata dentro do mesmo artigo da montada frontal. Em nenhum dos casos o ponto sai no instante em que a posição aparece: o atleta precisa estabilizar por 3 segundos, e cada posição tem uma lista própria de exigências que precisam ser verdadeiras ao mesmo tempo durante esses 3 segundos.
É por isso que a pergunta “quantos pontos vale a montada” quase nunca termina no número. Quem digita isso já desconfia que são 4. O que não sabe é por que montou, contou até três na cabeça e o placar não mexeu. Este texto responde as duas coisas: quanto vale cada posição dominante e qual é a condição exata que faz o árbitro levantar a mão, segundo o Livro de Regras IBJJF/CBJJ na versão 6.1, de junho de 2024.
O que você vai ver neste post
- Quanto vale cada posição dominante no Jiu-Jitsu
- A montada vale 4 pontos e exige cinco coisas ao mesmo tempo
- A pegada pelas costas vale 4, mas só com os dois ganchos
- O joelho na barriga vale 2 e depende do joelho de trás
- Os 3 segundos governam as três posições
- As sequências que somam e a que não soma
- O que a tabela de pontos diz sobre o seu jogo
- Perguntas frequentes
Quanto vale cada posição dominante no Jiu-Jitsu
O regulamento não distribui pontos por dificuldade de execução. Distribui por grau de domínio. Quanto mais perto a posição deixa você da finalização, e quanto menos alternativas ela deixa para quem está por baixo, mais ela vale.
| Posição | Pontos | Artigo do regulamento |
|---|---|---|
| Montada e montada pelas costas | 4 | 4.4 |
| Pegada pelas costas | 4 | 4.5 |
| Passagem de guarda | 3 | 4.2 |
| Queda | 2 | 4.1 |
| Joelho na barriga | 2 | 4.3 |
| Raspagem | 2 | 4.6 |
Montada e costas empatam no topo porque produzem o mesmo efeito: o adversário perde as pernas como ferramenta de defesa e a sua mão fica livre para atacar o pescoço ou o braço dele. A passagem vale 3 porque resolve o problema mais caro do Jiu-Jitsu esportivo, as pernas do outro, mas ainda não é posição de finalização. O joelho na barriga vale 2, o mesmo que uma queda, porque é posição de trânsito, não de estacionamento. A tabela completa, com vantagens e critérios de desempate, está no guia de pontuação no Jiu-Jitsu pelas regras CBJJ e IBJJF. Aqui a lupa é a letra miúda de cada artigo.
A montada vale 4 pontos e exige cinco coisas ao mesmo tempo
O artigo 4.4 descreve a montada assim: o atleta que está por cima e já livre da meia-guarda senta sobre o tronco do adversário e mantém os dois joelhos ou um pé e um joelho no solo, virado para a cabeça do adversário e com até um braço do adversário preso sob suas pernas, mantendo-se assim por 3 segundos.
Essa frase carrega cinco condições, e todas precisam ser verdadeiras do primeiro ao terceiro segundo.
- Você está livre da meia-guarda. Se uma das suas pernas ainda está presa entre as pernas dele, não importa quão alto você esteja no tronco. Ainda é meia-guarda.
- Você está sentado sobre o tronco. Sobre o tronco, não sobre a perna nem atravessado no quadril.
- Dois joelhos no solo, ou um pé e um joelho. A boa notícia mora aqui: a montada técnica, com um pé plantado e um joelho no chão, pontua normalmente. Não é preciso desmontar para consolidar.
- Você está virado para a cabeça dele. A montada invertida, de costas para o rosto do adversário, não está prevista no artigo. Pode ser útil no jogo de pernas moderno, mas não é ela que coloca 4 no placar.
- No máximo um braço dele preso sob as suas pernas. Um braço preso pontua. Os dois braços presos viram vantagem.
Existe ainda um detalhe de centímetros que decide campeonato. Quando você prende um dos braços dele sob a sua perna, o regulamento só concede os pontos se o joelho dessa perna não ultrapassar a linha do ombro do adversário.
Duas observações fecham o artigo. A primeira: cair por cima com o triângulo encaixado no adversário não é montada, e o texto é explícito ao dizer que não serão assinalados pontos referentes a ela. A segunda é oportunidade, não armadilha. Pelo artigo 4.4.1, montada pelas costas e montada frontal são posições distintas, e a transição direta de uma para a outra rende 4 pontos pela primeira e mais 4 pela segunda, respeitando os 3 segundos em cada. São 8 pontos em uma sequência só.
A pegada pelas costas vale 4, mas só com os dois ganchos
O artigo 4.5 é curto e implacável. A pegada pelas costas vale 4 pontos quando o atleta domina as costas do adversário colocando os calcanhares na parte interna das coxas dele, sem cruzar os pés, podendo aprisionar até um dos braços sem que a perna que aprisiona passe da linha dos ombros, e mantém esse controle por 3 segundos.
Leia de novo a parte do meio. Calcanhares na parte interna das coxas, sem cruzar os pés. É essa linha que separa 4 pontos de uma vantagem solitária. O regulamento lista, entre os exemplos de vantagem, quatro situações em que você está claramente nas costas do adversário e mesmo assim não recebe os 4 pontos:
- Você tem os dois ganchos, mas prendeu os dois braços dele sob as pernas.
- Você tem as costas, mas cruzou os pés na frente do corpo dele.
- Você tem as costas com o triângulo de corpo fechado.
- Você colocou apenas um dos calcanhares na parte interna da coxa dele, ou seja, tem um gancho só.
O terceiro item merece parágrafo próprio, porque contraria o que se vê no tatame todo dia. O triângulo de corpo é um dos controles de costas mais fortes e mais ensinados do Jiu-Jitsu moderno, e fisicamente costuma prender melhor do que dois ganchos soltos. Pela regra, vale vantagem. O regulamento não está dizendo que o triângulo é pior, está dizendo que a posição que pontua tem definição fechada e o triângulo está fora dela. A consequência prática vale ouro em luta apertada: se você chegou nas costas com o placar empatado, encaixe os dois ganchos, conte três, e só depois troque para o triângulo. A ordem custa dois segundos e vale 4 pontos.
Vale separar duas posições que a conversa de vestiário costuma juntar. Pegada pelas costas, artigo 4.5, é o controle com os ganchos. Montada pelas costas, artigo 4.4, é você sentado sobre o tronco dele enquanto ele está de barriga para baixo, e ali os ganchos não são exigidos. As duas valem 4, e a transição entre elas é o que permite somar 8.
O joelho na barriga vale 2 e depende do joelho de trás
O artigo 4.3 define a posição assim: o atleta que está por cima e já livre da guarda coloca o joelho ou a canela, da perna mais próxima do quadril do adversário, na barriga, no peito ou nas costelas dele, que precisa estar de costas ou de lado, e se mantém estável por 3 segundos, sem o joelho oposto encostar no chão.
Três detalhes decidem tudo, e nenhum deles é o joelho da frente, que todo mundo já sabe onde colocar. O primeiro é qual perna sobe: a regra especifica a perna mais próxima do quadril do adversário, a perna de dentro. Não é escolha estética, é o que impede a posição de ser executada de um ângulo que não domina ninguém.
O segundo é o joelho de trás, que não pode encostar no chão. Se encostar, o próprio regulamento coloca a situação na lista de vantagens: joelho na barriga com o joelho da outra perna no solo é vantagem, não são 2 pontos. É o erro mais comum da posição, e acontece sempre pelo mesmo motivo. O atleta encaixa, sente o adversário empurrar e apoia o joelho de trás para não cair. Um segundo de apoio dentro dos 3 segundos apaga a marcação.
O terceiro é a postura do adversário, que precisa estar de costas ou de lado. Se ele virou de bruços ou subiu para os quatro apoios enquanto você encaixava, a exigência não foi cumprida, por mais firme que esteja o seu joelho nas costelas dele.
Vale só 2 pontos e ainda assim é a posição mais rentável do jogo de cima quando você olha para o relógio em vez do placar. Chega rápido, cobra pouco investimento e é o degrau mais curto para a montada. Quem trata o joelho na barriga como destino final desperdiça a posição.
Os 3 segundos governam as três posições
O artigo 3.1 abre a seção de pontuação com uma frase que vale mais do que todos os números da tabela: os pontos serão assinalados sempre que o atleta estabilizar por 3 segundos a posição conquistada. Não existe ponto por chegar. Existe ponto por chegar e ficar. Dois segundos e meio de montada perfeita valem uma vantagem. Não valem 4 pontos, porque a regra não arredonda.
Duas situações fazem você chegar, ficar os 3 segundos e ainda assim não pontuar. A primeira está no artigo 3.3: quem alcança posições de pontuação sob ataque de finalização só tem os pontos assinalados depois de se livrar do golpe e estabilizar por 3 segundos, e a contagem é interrompida no instante em que o adversário encaixa a finalização. Pelo 3.3.3, quem atravessa uma ou várias posições sob finalização e não se livra até o fim da luta recebe apenas uma vantagem. Uma, não uma por posição.
A segunda está no artigo 3.2: o atleta que voluntariamente abandona uma posição pela qual já recebeu pontos, para repeti-la em busca de nova pontuação, não recebe os novos pontos. Montar, soltar de propósito e montar de novo não faz 8, faz 4. Se o adversário recompõe por mérito dele, a montada seguinte é nova e pontua. Os casos em que essa lógica anula a marcação estão detalhados no texto sobre passagem de guarda e quantos pontos ela vale, e o regulamento inteiro, com punições e critérios de desempate, está no guia de regras do Jiu-Jitsu em 2026.
As sequências que somam e a que não soma
O artigo 3.4 é o que transforma a tabela em estratégia. Ele permite pontos cumulativos quando o atleta evolui através de várias posições de pontuação, desde que o domínio de 3 segundos da última represente também o domínio das anteriores. Nesse caso, o árbitro conta apenas 3 segundos no fim da sequência e assinala tudo.
O próprio regulamento dá o exemplo: passagem seguida de montada soma 7 pontos, 3 mais 4. Você não precisa parar e contar três na passagem, depois parar e contar três na montada. Passou, montou, segurou três, levou os 7. A outra sequência que merece lugar no seu repertório é a do artigo 4.4.1, montada pelas costas para montada frontal, 4 mais 4, com 3 segundos em cada uma. Ela aparece quando o adversário emborca de bruços com você em cima e depois volta a girar para o lado.
E uma que não soma nada: repetir a mesma posição depois de soltar de propósito. O placar do Jiu-Jitsu recompensa progressão, não reciclagem.
O que a tabela de pontos diz sobre o seu jogo
Repare no que o artigo 3.2 diz, literalmente: a luta deve seguir uma sequência crescente de domínio técnico em direção à finalização. Isso não é uma regra de arbitragem. É a definição de game plan escrita dentro de um livro de regras.
A tabela de pontos é o mapa econômico do esporte. Ela informa onde o domínio está mais concentrado e, por consequência, para onde o seu jogo deveria apontar. Quem chega ao joelho na barriga e para ali aceita 2 quando havia 4 a dois movimentos de distância. Quem passa e se acomoda no cem quilos aceita 3 quando o regulamento oferece 7 pela mesma sequência, feita sem pausa.
A pergunta útil, então, não é quantos pontos vale a montada. É outra, e é bem mais desconfortável: quando você chega na montada, qual é o seu próximo movimento, e o que você faz quando ele falha? A maioria dos praticantes de faixa azul a marrom responde a primeira parte e trava na segunda. Sabe qual estrangulamento tenta da montada. Não sabe descrever o que acontece quando o adversário empurra o joelho, faz a fuga de quadril e recompõe a meia-guarda, mesmo tendo vivido essa cena centenas de vezes.
É esse desenho que o GamePlan BJJ existe para materializar. Você monta o seu jogo como um fluxograma de decisões: a passagem que você usa de verdade, a montada que vem depois e as duas ou três reações mais prováveis do adversário em cada nó, cada uma com a sua resposta. Ver a sequência desenhada costuma expor em cinco minutos o buraco que a memória escondeu por meses. E o buraco vira aquilo que você leva para o professor na próxima aula, com a pergunta pronta em vez da queixa vaga de que a montada não segura.
Perguntas frequentes
Montada no Jiu-Jitsu vale quantos pontos?
A montada vale 4 pontos pelo artigo 4.4 do Livro de Regras IBJJF/CBJJ. Para pontuar, o atleta precisa estar livre da meia-guarda, sentado sobre o tronco do adversário, virado para a cabeça dele, com os dois joelhos ou um pé e um joelho no solo e no máximo um braço do adversário preso sob as pernas, mantendo tudo isso por 3 segundos.
Pegar as costas vale quantos pontos?
A pegada pelas costas vale 4 pontos, pelo artigo 4.5. É exigido que os dois calcanhares estejam na parte interna das coxas do adversário, caracterizando os ganchos, sem cruzar os pés, e que o controle se mantenha por 3 segundos. Com apenas um gancho, o atleta recebe vantagem, não os 4 pontos.
Joelho na barriga vale quantos pontos?
O joelho na barriga vale 2 pontos, pelo artigo 4.3. O joelho ou a canela da perna mais próxima do quadril do adversário precisa estar na barriga, no peito ou nas costelas dele, com o adversário de costas ou de lado, por 3 segundos, e o joelho da outra perna não pode encostar no chão. Se encostar, a marcação é de vantagem.
Triângulo de corpo nas costas vale 4 pontos?
Não. O regulamento lista a pegada pelas costas com triângulo fechado entre os exemplos de vantagem. Para os 4 pontos é preciso ter os dois calcanhares na parte interna das coxas do adversário, sem cruzar os pés. Encaixar os ganchos por 3 segundos antes de trocar para o triângulo resolve.
Passagem de guarda seguida de montada soma quantos pontos?
Soma 7 pontos, 3 pela passagem e 4 pela montada. É o exemplo citado no artigo 3.4, que permite pontos cumulativos quando a estabilização de 3 segundos da última posição representa também o domínio das posições anteriores da sequência.
Montada pelas costas e montada frontal somam 8 pontos?
Sim. O artigo 4.4.1 trata as duas como posições distintas. Na transição direta de uma para a outra, o atleta recebe 4 pontos pela primeira montada e mais 4 pela segunda, desde que estabilize 3 segundos em cada uma.
Última atualização: 8 de setembro de 2026.

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